O Wall Street Jornal Europe publicou ontem uma notícia muito divertida. O jornal dá conta de uma brutal injecção de capital — cerca de 500 milhões de dólares — directamente dos cofres do Governo da República Francesa para a conta bancária de uma empresa privada, com o estimável propósito de a salvar da falência certa.
Não, não se trata da ELF, nem da Air France, nem da Renault, nem de nenhuma das ilustres bandeiras da economia francesa. Trata-se da Euro Disney SCA. Pois, essa mesmo: a subsidiária europeia da gigante americana Walt Disney Co.
E assim temos o campeão europeu do anti-americanismo a dar uma mãozinha (uma senhora mãozinha, diga-se de passagem) a um estandarte da cultura burguesa e consumista—provavelmente o maior dos estandartes, já que se baseia numa combinação inebriante de Hollywood e fast-food. É ou não é divertido?
Eu acho que é. Mas, para variar, o MNE francês tem uma opinião diferente. Para ele tudo isto é muito sério: "Nós estamos reconhecidos ao povo americano e temos muito respeito pela sua cultura."
Claro, claro... Pela mesmíssima cultura que há bem pouco tempo, como bem lembra o op-ed do WSJE, mereceu do Presidente da República Francesa o epíteto: "Desastre ecológico". Divertido, não é?
Bom, mas agora a sério: convém não perder de vista a crise do emprego em França, e só o parque de diversões da Disney (verdadeiro "Chernobyl cultural", no entender da elite cultural francesa) é responsável por 43.000 postos de trabalho.
p.s.: E andamos nós surpreendidos com as declarações dos humoristas portugueses?
2005-01-27
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