Assim começa uma sequência de frases desconexas, com fraca sintaxe, pejada de ilogismos e reveladora de uma verdadeira paranóia. A coisa é assinada por Pedro Santana Lopes. Deixaram-ma dentro de um envelope, na caixa do correio. Em circunstâncias normais concluiria tratar-se de uma brincadeira ou de uma manobra para desacreditar o suposto signatário. Mas, sendo o nosso primeiro ministro quem é, tenho de concluir que é autêntica. Enfim, talvez a coisa tenha tido pelo menos um dos efeitos pretendidos: estou quase convencido a votar. Outro efeito talvez não tenha sido o desejado: é que não tenho já sombra de dúvida contra quem o farei.
Transcrevo para a posteridade (leia-se ao mesmo tempo que se ouve o "Guerreiro Menino"; a experiência é inesquecível):###Caro(a) Amigo(a),
Não pare de ler esta carta.
Se o fizer, fará o mesmo que o Presidente da República fez a Portugal, ao interromper um conjunto de medidas que beneficiavam os portugueses e as portuguesas.
Só com o seu voto será possível prosseguir as políticas que favorecem os que menos ganham e que exigem mais dos que mais têm e mais recebem.
Você não costuma votar, e não é por acaso.
Afastou-se pelas mesmas razões que eles nos querem afastar.
E quem são eles?
Alguns poderosos a quem interessa que tudo fique na mesma.
Incluindo a velha maneira de fazer política.
Eles acham que eu sou de fora do sistema que eles querem manter. Já pensou bem nisso?
Provavelmente nós temos algo em comum: não nos damos bem com este sistema.
Tenho defeitos como todos os seres humanos, mas conhece algum político em Portugal que eles tratem tão mal como a mim?
Também o tratam mal a si. Já somos vários.
Ajude-me a fazer-lhes frente.
Desta vez, venha votar. É um favor que lhe peço!
Por todos nós,
Pedro Santana Lopes