2004-06-15

Fanatismo na primeira pessoa

O MEMRI continua a divulgar documentos impressionantes. Desta vez um relato na primeira pessoa do ataque de dia 29 de Maio, em Khobar, Arábia Saudita. O documento merece ser lido na íntegra, mas não resisto a deixar alguns excertos:
As soon as we entered, we encountered the car of a Briton, the investment director of the company, whom Allah had sent to his death. He is the one whose mobile phone on the seat of his car, with the blood on it, they kept showing [on television]. We left him in the street.

We went out, and drove our car. We had tied the infidel by one leg [behind the car]. We left the company [compound] and met the patrols. The first to arrive was the jeep of a patrol, with one soldier, and we killed him. With the rest we exchanged fire, and we got through.

[...]

The infidel's clothing was torn to shreds, and he was naked in the street. The street was full of people, as this was during work hours, and everyone watched the infidel being dragged, praise and gratitude be to Allah.

[...]

We entered one of the companies' [offices], and found there an American infidel who looked like a director of one of the companies. I went into his office and called him. When he turned to me, I shot him in the head, and his head exploded. We entered another office and found one infidel from South Africa, and our brother Hussein slit his throat. We asked Allah to accept [these acts of devotion] from us, and from him. This was the South African infidel.

[...]

We went to one of the buildings. Brother Nimr, may Allah's mercy be upon him, shoved the door until it opened. We entered and in front of us stood many people. We asked them their religion, and for identification documents. We used this time for Da'wa [preaching Islam], and for enlightening the people about our goal. We spoke with many of them.

At the same time, we found a Swedish infidel. Brother Nimr cut off his head, and put it at the gate [of the building] so that it would be seen by all those entering and exiting.

2004-06-13

Campanhas, reflexões e sondagens: restrições paternalistas

A existência de períodos legais para as campanhas eleitorais, o chamado período de reflexão e a proibição de campanha no dia das eleições, bem como a proibição da divulgação de sondagens, não passam de tiques paternalistas. Assumem que os cidadãos são irresponsáveis, devendo ser "protegidos" de informação que, imagine-se o escândalo, poderia "influenciar" os resultados eleitorais. Das duas uma, ou se entende que os eleitores são uma massa amorfa de indivíduos incapazes de pensar pela sua cabeça, ou se assume que são cidadãos completos, capazes de pensamento autónomo e de, face a toda a informação disponível, escolher como bem entenderem. Neste último caso, que me parece a única suposição aceitável num estado liberal, a proibição da campanha ou, pior, da divulgação de sondagens no dia da eleição não passa de uma forma de sonegar informação que o eleitor poderia usar para conscientemente fazer a sua escolha. Quanto a períodos de reflexão, cada um constrói (ou não) o seu, como bem entender e sem precisar de "ajudas" estatais. Efeitos "perversos" de eliminar estas restrições paternalistas, só se forem os da democracia em si, bem conhecidos, mas relativamente aos quais ainda está para chegar quem proponha alternativa convincente. Reconhecendo a democracia como a solução possível, então tem de se aceitar o resultado maioritário das decisões individuais, tomadas em consciência e com acesso a toda a informação disponível.

2004-06-12

Patriotismos de pouca dura

Estava na Escolar Editora quando, vindo do café em frente, se ouviu o público cantar o hino nacional com emoção, antes de se iniciar o jogo entre Portugal e a Grécia. Senti um arrepio ao ouvi-lo. Mas resisti. Será já um lugar comum, mas não menos verdadeiro por isso: é um patriotismo fácil e efémero, este do futebol. Prognostiquei uma derrota logo no primeiro jogo, o rápido arriar das bandeiras nacionais que por aí pululam, e hinos cantados com bem menos vigor nos próximos jogos. Não sei se me alegre com o rápido desaparecimento deste patriotismo deslocado, se me entristeça com o fim da última forma de patriotismo que nos resta.

2004-06-10

"Morto pela Morte Inexorável e Morto pela Campanha Evitável"

As campanhas são estúpidas, é certo. A morte é triste, sobretudo de um homem bom. Mas, por mais que tente, não vejo ligação entre as duas coisas. Ou, pelo menos, não a vejo da mesma forma que Pacheco Pereira e outros cujas opiniões fui ouvindo. Sousa Franco morreu em campanha, como poderia ter morrido a passear. Morreu, como todos morreremos. Mas morreu a fazer o que queria, como queria, convicto, em total liberdade. Pode-se morrer melhor?

Tentamos sempre encontrar nexos de causalidade para os acontecimentos mais importantes. Tem de haver um responsável. Alguém perverso. Alguém estúpido. Mas o que é perverso, o que é estúpido, o que é a causa última da nossa morte, é a vida. Simplesmente.