2003-06-13
Concerto para dois pianos e vento nos choupos Ontem à noite, no belíssimo Miradouro de Montes Claros, Bernardo Sasseti e Mário Laginha deram um memorável concerto para uma pequena audiência de foragidos das marchas populares. Foi bonito ouvir momentos como "Renascer", de Bernardo Sassetti, acompanhados pelo ruído do vento nas folhas transparentes dos choupos. Junto ao espelho de água, os temas passaram por "O sonho dos outros", "Segunda gaveta a contar de cima" ou "Fisicamente", terminando com um notável improviso a quatro mãos, enquanto as partituras voavam com o vento.
Blogário Mais contributos para um vocabulário da blogosfera.
Contribuições e correcções para Picuinhices@yahoo.com.br.
Colaborações de Gonçalo, comenteiro, e de Nelson Alexandre (a.k.a. Shinho), blogueiro da Espada Relativa. Verbetes indecentemente roubados ao Novo Aurélio Século XXI.
blogado [Part. de blogar] Adj. m. Que se blogou.
blogador S. m. O mesmo que blogueiro.
blogal Adj 2 g. 1. Relativo ao blogo. 2. Que se passa do blogo.
blogamia S. f. Estado de blógamo.
blógamo S. m. Aquele que é casado em simultâneo com um humano e com o seu blogue.
blogão [Aum. de blogue] S. m. 1. Grande blogue. 2. Blogue de grande qualidade.
blogar V. i. Produzir entradas num blogue.
blogaria S. f. 1. Movimento promotor do bloguismo. 2. Sociedade secreta de blogueiros.
blogariano Adj. m. 1. Leitor que recusa o consumo de qualquer medium que não os blogues. 2. Membro da sociedade secreta da Blogaria. 3. Descendente da tribo dos blogarianos primitivos.
blogário1 Adj. m. Respeitante aos blogues, à blogatura4,5 ou a qualquer espécie de de cultura adquirida pela leitura ou estudo dos blogues.
blogário2 S. m. Vocabulário ou livro em que se explicam termos blogários1.
blogarro [Aum. de blogue] S. m. 1. Grande blogue. 2. Deprec. Blogue grande apenas em extensão, embora não necessariamente na qualidade.
blogatura S. f. 1. Funções de blogueiro. 2. A classe dos blogueiros. 3. Duração da actividade do blogueiro. 4. Arte de compor ou escrever em forma de blogue. 5. O conjunto dos trabalhos blogários dum país ou duma época. 6. Forma de governo em que o poder está nas mãos dos blogueiros cujos blogues têm mais visitas.
blógico Adj. m. Relativo ao blogo.
blogo S. m. 1. Anat. Canal mental que produz entradas para um blogue. 2. Inf. Aplicação informática que permite gerir um blogue.
blogoespaço S. m. Local para onde vão os blogues depois de mortos.
blogófilo Adj. S. m. 1. Psiq. Aquele que sofre de blogofilia. 2. Aquele que ama os blogues.
blogofilia S. f. 1. Psiq. Parafilia caracterizada por desejo forte e repetido de práticas e fantasias sexuais com blogueiros. 2. Amor aos blogues.
blogofobia S. f. Psiq. Blogopatia caracterizada pelo medo, aversão ou discriminação em relação aos blogues ou aos blogueiros.
blogofrenia S. f. Psiq. Termo que engloba várias formas clínicas de blogopatia e distúrbios blogais próximos a ela; sua característica fundamental é a dissociação e a assintonia das funções blógicas, disto decorrendo fragmentação da personalidade do blogueiro.
blogofrénico Adj. S. m. 1. Que ou aquele que sofre de blogofrenia. 2. Qualquer blogueiro que mantenha dois blogues contraditórios (e.g., o caso dos blogues De Direita e De Esquerda).
blogologia S. f. Ciência que estuda a blogosfera.
blogólogo S. m. Indivíduo dedicado ao estudo da blogologia.
blogómano Adj. S. m. Psiq. Aquele que sofre de blogomania.
blogomania S. f. Psiq. Tendência para o abuso da leitura de blogues, a qual às vezes assume carácter patológico.
blogopatia S. f. Psiq. Qualquer doença mental relacionada com o blogo.
blogorreia S. f. 1. Med. Evacuação frequente, através do blogo, de opiniões verbosas e irrelevantes. 2. Fluxo anormal de entradas num blogue.
blogose S. f. 1. Psiq. Blogopatia. 2. Fig. Ideia fixa no seu blogue; obsessão por produzir entradas num blogue.
blogosexual Adj. 2 g. Relativo à afinidade, atracção e/ou comportamentos sexuais entre blogueiros.
blogosfera S. f. Conjunto de todos os blogues, blogueiros e blogófilos2.
blogossocial Adj. 2 g. 1. Que é simultaneamente blóguico e social. 2. Diz-se de actividade, estudo, etc., relacionados com os aspectos blóguicos conjuntamente com os aspectos sociais da Web.
blogote S. m. Deprec. Blogue de má qualidade.
blogótico Psiq. Adj. m. 1. De ou relativo a blogoses. 2. Que sofre de blogose.
blogotomia S. f. 1. Cir. Incisão no blogo. 2. Neurocir. Psiq. Transecção metódica do blogo, indicada em certas condições mórbidas blogais, como síndromes blogofrénicas, ou em casos de bloguites intratáveis de outra forma (intervenção foi aperfeiçoada, segundo um blomito corrente, por Blogas Moniz, e que entretanto caiu em desuso, sendo mesmo desaconselhada pela bloguética).
blogue1 S. m. Diário digital a uma ou várias mãos, que pode ter um carácter íntimo ou servir como uma coluna de opinião pessoal.
blogue2 Adj. 1. Deprec. Diz-se daquilo que é como um blogue. 2. Verboso e opinioso. 3. Irrelevante.
blogueio S. m. 1. Med. Obstrução do blogo. 2. Estado de um blogueiro temporariamente incapaz de blogar.
blogueiricida S. 2 g. Aquele que matou um blogueiro.
blogueiro S. m. Aquele que mantém um blogue, ou seja, que bloga.
bloguemente Adv. 1. À maneira de um blogue ou de um blogueiro.
bloguepsia S. f. Patol. Afecção que incide no homem mas sobretudo em alguns quadrúpedes e certas aves de arribação, e que consiste em acessos recidivantes de distúrbios mentais, caracterizados pelo cepticismo acerca da relevância do movimento bloguista.
bloguéptico Adj. m. 1. Relativo a, ou que sofre de bloguepsia, i.e., que tem crises bloguépticas. 2. Aquele que sofre de bloguepsia.
bloguército S. f. As tropas de um blogue ou de uma coalizão de blogues (e.g., a famosa União dos Blogues Livres, que libertou a blogosfera do perigo totalitário marxista).
bloguerra S. f. Guerra fraticida entre blogues.
bloguética S. f. Filos. Estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta bloguíaca susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada bloguidade, seja de modo absoluto.
bloguíaco Adj. m. Relativo aos blogues.
bloguice S. f. 1. Qualidade do que é blóguico. 2. Mania típica de um blogueiro.
bloguicida S. 2 g. 1. Aquele que matou um blogueiro; blogueiricida. 2. Aquele que eliminou um blogue.
bloguício 1. Adj. m. Relativo aos blogues. 2. S. m. Vício de blogar.
blóguico Adj. m. Relativo aos blogues.
bloguidade S. f. Agrupamento de blogueiros que vivem em estado gregário.
bloguinho [Dim. de blogue] S. m. 1. Pequeno blogue. 2. Carinh. Blogue com conteúdo ingénuo.
bloguismo S. m. Doutrina que prega a primazia dos blogues sobre os media tradicionais. V. socialismo.
bloguista Adj. 2 g. Que é partidário do bloguismo. V. socialista. S. 2 g. Partidário do bloguismo.
bloguite S. f. 1. Med. Inflamação do blogo. 2. Vermelhidão no blogue (Ver Blog de Esquerda).
bloguito [Dim. de blogue] S. m. 1. Deprec. Blogue medíocre. 2. Chulo Gesto obsceno característico dos blogueiros, executado normalmente quando recebem um tratamento que consideram injusto nos media tradicionais. 3. Gesto ritual realizado aquando da entrada num movimento bloguista.
blogura S. f. Qualidade daquilo que é blogue2.
blomito S. m. 1. Mito da blogosfera. 2. Narrativa dos tempos fabulosos ou heróicos da blogosfera.
comenteiro S. m. Aquele que comenta as entradas de um blogue.
comentarreia S. f. 1. Med. Afecção caracterizada pela produção descontrolada de comentários às entradas de um ou mais blogues.
iblogato Adj. S. m. Que ou aquele que não tem conhecimentos blogários.
ibloguecia S. f. Condição ou estado de iblogato.
lapsus linkae [Lat. moderno] Erro involuntário numa ligação (link) a uma página.
pós-bloguismo S. m. Doutrina que prega a equivalência não apenas entre todas as formas de expressão, mas também de todas as opiniões expressas.
pré-bloguismo S. m. O mesmo que pós-modernismo.
[A lista continua logo que possível com: coproblogue, blogue-maria, bloguinária, blogussão, blogasmo, blogásmico, imblóguio, blogosene, in blogo, blogalgia, blogóide, blogoma, disblogue, rinoblogue, blogostase, periblogue, ectoblogue, blogostória, blogueida, citoblogue, neoblogue, poliblogue, monoblogue, homoblogue, heteroblogue, pan-bloguismo, neuroblogue, psicoblogue, interblogue, intrablogue, hiperblogue, hipoblogue, gastroblogue, bloguiase, hemoblogue, megablogue, micro blogue, transblogue, blogoblasto, bradiblogue, taquiblogue, taquibloguia, bradibloguia, parablogue, imblogável, blogável, blogástico, blogoxismo, blogariante, blogacional, ofiblogue, blogópode, dromoblogue, blogueína, blogodependente]
Contribuições e correcções para Picuinhices@yahoo.com.br.
Colaborações de Gonçalo, comenteiro, e de Nelson Alexandre (a.k.a. Shinho), blogueiro da Espada Relativa. Verbetes indecentemente roubados ao Novo Aurélio Século XXI.
Juntos Ontem sessão dupla de Lukas Moodysson no cine-teatro Dukes em Lancaster, U.K. O primeiro "Fucking Åmål"/"Show me Love", o segundo "Tillsammans"/"Together". Bom o primeiro, imperdível o segundo. Ambos cheios de humanidade, o segundo de um humor óptimo.
Lapsus linkae O Picuinhices cometeu um lapsus linkae na entrada anterior colocando a mesma âncora para o termo "idiotarian" e para o artigo de Filomena Mónica. Um pedido de desculpas é devido aos nossos leitores mais picuinhas... e aos outros também...
Será a tendência para a utupia inata? Será que a natureza humana nos condenará para todo o sempre a conviver com uma minoria "idiotariana"? É bem possível que sim. Daí que o aviso de Filomena Mónica deve ser levado em conta.
Blogues e democracia, no Samizdata:
De facto. Não gastemos a palavra "democracia".
Blogs are therefore something which empowers the individual, the blogger, regardless of the wishes, and therefore the votes, of a collective who might wish to have a say in what a blogger writes. The correct analogy is therefore the market place... a blog is a open air stall in a marketplace for ideas called the blogosphere. If you find the ideas we are 'selling' interesting (even if you do not agree with them) you will come back for more. If we horrify you or even worse, bore the pants off you, you will probably not come back. But we will write what we will write. There is nothing democratic about that... and long may it be so.
De facto. Não gastemos a palavra "democracia".
A Coluna Infame acabou. O Picuinhices sente-se órfão. O Picuinhices revê-se nas palavras de José Manuel Fernandes:
A "Coluna Infame" acabou. A blogosfera está mais pobre. E o país também - mesmo que a maioria nunca tenha ouvido falar nem da "Coluna", nem da blogosfera.
Mais Castrismos no Le Monde. Cuba pára durante três horas para poder participar em mais um manifestação oficial, desta vez contra a União Europeia, personificada nos "fascistas" Aznar e Berlusconi.
O Blog de Esquerda agarra-se instintivamente a todos os confrontos de manifestantes de esquerda com a polícia. A verdade sofre no processo de "epicização" dos acontecimentos. Um ponto de vista um pouco diferente sobre as manifestações em Paris pode ser lido no Le Figaro:
Le film des événements semble indiquer que les services d'ordre mis en place par les syndicats ont été dépassés par un «noyau dur» de trois cents personnes environ. «Vers 19 heures, une partie des quelque cinq mille manifestants massés place de la Concorde ont tenté de franchir le pont pour rejoindre l'Assemblée nationale, qui était dans leur ligne de mire, explique un policier. Des groupes d'inconnus se sont heurtés aux CRS, qui ont essuyé une pluie de projectiles divers.» De manière assez exceptionnelle, les fonctionnaires en tenue ont été contraints de lancer des grenades lacrymogènes et d'utiliser les canons à eau pour repousser les assaillants. Une vingtaine d'individus ont été appréhendés avant qu'une partie du cortège ne se dirige vers l'Opéra Garnier où, vers 21 heures, plus de deux cents personnes ont fait irruption au moment de l'entracte de Cosi Fan Tutte. A leur tour, une quarantaine de personnes ont été neutralisées.
Mais mentiras João Lecour envia-nos mais uma contribuição para o rol das mentiras associadas ao caso Wofowitz:
Aqui fica o meu contributo, retirado do Público de 9/6, referindo a intervenção de Maria de Lourdes Pintasilgo no FSP:
[...] Entre elas, a controversa entrevista de Paul Wolfowitz, subsecretário de Estado da Defesa dos EUA, à revista "Vanity Fair". "Afirmou que o argumento das armas de destruição maciça foi inventado para fazer a guerra e com tal mentira foram mortas milhares de pessoas e criou-se no mundo uma grande revolta", declarou. Perante uma assistência que foi engrossando ao longo da manhã, Pintasilgo lamentou viver num mundo "onde não conta a vida humana" e frisou que "se o mundo assenta na mentira, então não vale a pena governar".
Diz a sra. Pintasilgo que "se o mundo assenta na mentira, então não vale a pena governar"; concordo e acrescento que ainda bem que pessoas como ela não governam, pois como ficou comprovado são capazes de recorrer à mentira mais conveniente.
Aqui fica o meu contributo, retirado do Público de 9/6, referindo a intervenção de Maria de Lourdes Pintasilgo no FSP:
[...] Entre elas, a controversa entrevista de Paul Wolfowitz, subsecretário de Estado da Defesa dos EUA, à revista "Vanity Fair". "Afirmou que o argumento das armas de destruição maciça foi inventado para fazer a guerra e com tal mentira foram mortas milhares de pessoas e criou-se no mundo uma grande revolta", declarou. Perante uma assistência que foi engrossando ao longo da manhã, Pintasilgo lamentou viver num mundo "onde não conta a vida humana" e frisou que "se o mundo assenta na mentira, então não vale a pena governar".
Diz a sra. Pintasilgo que "se o mundo assenta na mentira, então não vale a pena governar"; concordo e acrescento que ainda bem que pessoas como ela não governam, pois como ficou comprovado são capazes de recorrer à mentira mais conveniente.
José Pacheco Pereira produziu mais uma crónica admirável no Público, amadurecida a partir de textos pré-publicados no seu blogue: O Abrupto. Desta vez é sobre o Fórum Social Português.
Lulismos Não sou especialista em impostos, mas quando li a proposta de Lula da Silva de introduzir um imposto sobre o comércio internacional de armas, lembrei-me do Conde-Duque de Olivares, valido de Felipe IV (Filipe III de Portugal). Foi ele que inventou o nefando imposto de selo, na sua forma primitiva de papel selado. O objectivo era aumentar as receitas numa altura em que a situação da Fazenda de Espanha se tornou desastrosa devido à redução das entradas de ouro das colónias, ao esforço bélico constante em todas as partes do império e à guerra com França de 1635 (ver a excelente biografia de Gregorio Marañón). Este tipo de ideias repete-se há séculos: quando não há dinheiro, inventa-se.
Mas a proposta de Lula não terá o condão de irritar a opinião pública. Não. Desde 1635 aprendeu-se muito. Hoje, este tipo de propostas têm um toque de Robin dos Bosques. Os impostos propostos para resolver definitivamente os problemas agora mundiais não incidem sobre todos nós. Incidem, isso sim, sobre um conjunto de entidades mais ou menos remotas e que o pensamento politicamente correcto vê como sinistras e fontes do mal na terra. Primeiro foi a famosa Taxa Tobin, que taxaria as transacções financeiras internacionais, vistas pela cartilha dos movimentos anti-globalização como especulativas e fonte das misérias dos países do terceiro mundo. Agora chegou a vez da Taxa Lula, que propõe a solução milagrosa para a fome no mundo à custa da taxação das vendas internacionais de armamento.
A resposta mais eloquente a esta proposta profundamente demagógica foi dada por Sérgio Vasques no Público de ontem, através de um artigo irónico e certeiro:
Parabéns, Sérgio Vasques!
Mas a proposta de Lula não terá o condão de irritar a opinião pública. Não. Desde 1635 aprendeu-se muito. Hoje, este tipo de propostas têm um toque de Robin dos Bosques. Os impostos propostos para resolver definitivamente os problemas agora mundiais não incidem sobre todos nós. Incidem, isso sim, sobre um conjunto de entidades mais ou menos remotas e que o pensamento politicamente correcto vê como sinistras e fontes do mal na terra. Primeiro foi a famosa Taxa Tobin, que taxaria as transacções financeiras internacionais, vistas pela cartilha dos movimentos anti-globalização como especulativas e fonte das misérias dos países do terceiro mundo. Agora chegou a vez da Taxa Lula, que propõe a solução milagrosa para a fome no mundo à custa da taxação das vendas internacionais de armamento.
A resposta mais eloquente a esta proposta profundamente demagógica foi dada por Sérgio Vasques no Público de ontem, através de um artigo irónico e certeiro:
Ora aqui é que a proposta do Presidente Lula se mostra verdadeiramente revolucionária, deixando ver que outra globalização é de facto possível: propõe-se que se combata a fome não só com o novo imposto mas com parte dos juros da dívida pagos pelo terceiro mundo. Com alguma articulação e boa vontade, consegue-se, portanto, a situação óptima impensada nos livros: a indústria do armamento mantém o seu lucro, os contribuintes do primeiro mundo o seu rendimento, os regimes do terceiro mundo as suas prioridades. E uma vez salvo o planeta, quem sabe, talvez se salve o Brasil.
Parabéns, Sérgio Vasques!
2003-06-12
Enlynceceu Pedro Lynce, num ataque violento de socialismo, decidiu chamar a si não apenas a fixação das vagas para o ensino superior público, violando grosseiramente os pequenos passos que ele próprio vinha dando no sentido de uma maior autonomia e responsabilização das instituições de ensino superior público, mas também as vagas do ensino superior privado. O procedimento de redução de vagas "vai ser aplicado a todo o sistema, desde que haja concorrência", disse. É verdadeiramente lamentável. Uma regressão que não esperava deste governo, que aliás me vai desiludindo todos os dias que passam.
Dadas as suas tendências socialistas, proponho Pedro Lynce como organizador do próximo Fórum Social Português e como membro honorário do PCP.
Dadas as suas tendências socialistas, proponho Pedro Lynce como organizador do próximo Fórum Social Português e como membro honorário do PCP.
2003-06-11
A contribuição possível
Só mesmo o Manel e a capacidade de ser amigo dele suporta o facto de eu ser um disblogue. Posto isto, a contribuição possível é uma descoberta musical nova de 3 dias. Isto, também se poderia chamar And now something completely different ...
Into my arms by Nick Cave & the Bad Seeds
Desculpem qualquer coisinha os leitores habituais do Manel por este público acto de contrição.
Obrigado Manel.
Só mesmo o Manel e a capacidade de ser amigo dele suporta o facto de eu ser um disblogue. Posto isto, a contribuição possível é uma descoberta musical nova de 3 dias. Isto, também se poderia chamar And now something completely different ...
Into my arms by Nick Cave & the Bad Seeds
I don't believe in an interventionist God
But I know, darling, that you do
But if I did I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch a hair on your head
To leave you as you are
And if He felt He had to direct you
Then direct you into my arms
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms
And I don't believe in the existence of angels
But looking at you I wonder if that's true
But if I did I would summon them together
And ask them to watch over you
To each burn a candle for you
To make bright and clear your path
And to walk, like Christ, in grace and love
And guide you into my arms
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms
And I believe in Love
And I know that you do too
And I believe in some kind of path
That we can walk down, me and you
So keep your candlew burning
And make her journey bright and pure
That she will keep returning
Always and evermore
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms
Desculpem qualquer coisinha os leitores habituais do Manel por este público acto de contrição.
Obrigado Manel.
2003-06-09
"A Hora dos Professores" Excelente o artigo de António Barreto no Público. Um extracto:
Ainda há centenas de professores que não dão aulas, ou quase não dão aulas, reservando para os assistentes dependentes e os convidados acidentais essa que deveria ser uma sua nobre tarefa. Há numerosos professores que nada investigam, limitando-se a repetir aulas ou artigos velhos de idade e de ideias, sem efectiva avaliação ou, pior ainda, sem consequências das avaliações feitas. Há faculdades que multiplicam os números de cadeiras e disciplinas, na esperança de assim resolver problemas de corpo, ao mesmo tempo que se "fabricam" turmas sem alunos. Há faculdades com mais de 1.500 disciplinas, muitas das quais absolutamente inúteis, mas cuja função primordial é a de manter professores na inactividade. Há cursos de mestrado concebidos com o objectivo essencial de preencher, no papel, horários docentes inexistentes. Há centenas de professores em acumulação mais ou menos lícita, ao abrigo de expedientes legais estranhos. Há centenas de professores que faltam às aulas, sem sequer advertir os seus estudantes. Há centenas de professores que assinam os trabalhos dos seus dependentes e os publicam para sua glória. Há centenas de professores que não recebem regularmente os estudantes, não acompanham os trabalhos dos seus doutorandos, demoram por vezes meses a publicar as pautas de exames e chegam a fazer esperar mais de um ano um candidato a doutor. Há centenas de professores com "horário zero" (e milhares no sistema educativo em geral), há dezenas e dezenas de professores sem aulas e ao serviço do sindicato (são muitas centenas no sistema), há centenas de universitários (e milhares de professores ao todo...) requisitados nos gabinetes dos ministros, nos departamentos ministeriais, nas autarquias e noutras instituições de repouso académico!
2003-06-08
Contributos para um vocabulário da blogosfera Ao cuidado do Prof. João Malaca Casteleiro, seguem alguns contributos humildes para a próxima edição do Dicionário da Academia. Com estes novos verbetes, o Dicionário ficará finalmente completo. Definitivo. Imutável.
Contribuições e correcções para Picuinhices@yahoo.com.br.
blogado [Part. de blogar] Adj. Que se blogou.
blogamia S. f. Estado de blógamo.
blógamo S. m. Aquele que é casado em simultâneo com um humano e com o seu blogue.
blogar V. i. Produzir entradas num blogue.
blogo S. m. 1. Anat. Canal mental que produz entradas para um blogue. 2. Inf. Aplicação informática que permite gerir um blogue.
blogófilo Adj. S. m. 1. Psiq. Aquele que sofre de blogofilia. 2. Aquele que ama os blogues.
blogofilia S. f. 1. Psiq. Parafilia caracterizada por desejo forte e repetido de práticas e fantasias sexuais com blogueiros. 2. Amor aos blogues.
blogofobia S. f. Psiq. Blogopatia caracterizada pelo medo, aversão ou discriminação em relação aos blogues ou aos blogueiros.
blogologia S. f. Ciência que estuda a blogosfera.
blogomano Adj. S. m. Psiq. Aquele que sofre de blogomania.
blogomania S. f. Psiq. Tendência para o abuso da leitura de blogues, a qual às vezes assume carácter patológico.
blogopatia S. f. Psiq. Qualquer doença mental relacionada com o blogo.
blogorreia S. f. 1. Med. Evacuação frequente, através do blogo, de opiniões verbosas e irrelevantes. 2. Fluxo anormal de entradas num blogue.
blogose S. f. 1. Psiq. Blogopatia. 2. Fig. Ideia fixa no seu blogue; obsessão por produzir entradas num blogue.
blogosexual Adj. 2 g. Relativo à afinidade, atracção e/ou comportamentos sexuais entre blogueiros.
blogosfera S. f. Conjunto de todos os blogues, blogueiros e blogófilos2.
blogote S. m. Deprec. Blogue de má qualidade.
blogótico Psiq. Adj. m. 1. De ou relativo a blogoses. 2. Que sofre de blogose.
blogue S. m. Diário digital a uma ou várias mãos, que pode ter um carácter íntimo ou servir como uma coluna de opinião pessoal.
blogueio S. m. 1. Med. Obstrução do blogo. 2. Estado de um blogueiro temporariamente incapaz de blogar.
blogueiricida S. 2 g. Aquele que matou um blogueiro.
blogueiro S. m. Aquele que mantém um blogue, ou seja, que bloga.
bloguicida S. 2 g. 1. Aquele que matou um blogueiro; blogueiricida. 2. Aquele que eliminou um blogue.
bloguinho [Dim. de blogue] S. m. 1. Pequeno blogue. 2. Carinh. Blogue com conteúdo ingénuo.
bloguismo S. m. Doutrina que prega a primazia dos blogues sobre os media tradicionais. V. socialismo.
bloguista Adj. 2 g. Que é partidário do bloguismo. V. socialista. S. 2 g. Partidário do bloguismo.
bloguite S. f. 1. Med. Inflamação do blogo.
bloguito [Dim. de blogue] S. m. Deprec. Blogue medíocre.
entrada S. m. Unidade básica do texto colocado num blogue (as entradas são usualmente assinaladas com a data e hora da colocação do texto e normalmente são assinadas pelo blogueiro que as produziu).
pós-bloguismo S. m. Doutrina que prega a equivalência não apenas entre todas as formas de expressão, mas também de todas as opiniões expressas.
pré-bloguismo S. m. O mesmo que pós-modernismo.
[A lista continua amanhã com: blogão, blogarro, comenteiro, comentarite, blogura (V. doçura), blogueira, bloguemente, blogueirar, blogoespaço, blogosocial (V. psicossocial), anti-blogue, pró-blogue, blogólogo, blogaria (V. sapataria), bloguesia (V. burguesia), blogasia (V. fantasia).]
Contribuições e correcções para Picuinhices@yahoo.com.br.
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