2003-06-08

Saramaguices Saramago no Fórum Social Português vem-nos dar lições de democracia. Diz ele que a nossa democracia está "em regressão". Saramago tem razão: deveríamos ter seguido há muito os seus conselhos. Se o tivéssemos feito a nossa democracia não estaria em regressão: pura e simplesmente não existiria.

(Alerta do nosso bloguista virtual, Rui Lopes. Uma tese para escrever fala mais alto, muito mais alto, que qualquer blogue.)

2003-06-07

De novo o caso Wolfowitz O Guardian desculpa-se. Comparar com o pífio esclarecimento do Público.
O Fascismo Americano Segundo Miguel Sousa Tavares "as pessoas levam isso [a campanha anti-tabaco nos EUA] para a anedota, mas foi aí que começou o fascismo americano". O tal fascismo que, através da mentira descarada, derrubou a democracia Iraquiana...
Relação entre Terrorismo, Educação e Pobreza? Pouca, ou nenhuma, segundo Alan B. Krueger e Jitka Malecková no The Chronicle of Higher Education. (Via Arts & Letters Daily). Citações:
In December 2001, the Palestinian Center for Policy and Survey Research, in the West Bank city of Ramallah, conducted a public-opinion poll of 1,357 Palestinians age 18 or older in the West Bank and Gaza on topics including the September 11 attacks in the United States, support for an Israeli-Palestinian peace agreement, and attacks against Israel.

[...]

These results offer no evidence that educated people are less supportive of attacks against Israeli targets. In fact, the support for attacks against Israeli targets is higher among those with more than a secondary-school education than among those with only an elementary-school education, and the support is considerably lower among those who are illiterate.

The study showed also that support for attacks against Israeli targets is particularly strong among students, merchants, and professionals. Notably, the unemployed are somewhat less likely to support such attacks.

[...]

The poverty rate is 28 percent among the Hezbollah militants and 33 percent for the population. In terms of education the Hezbollah fighters are more likely to have attended secondary school than are people in the general population (47 versus 38 percent). The results suggest that poverty is inversely related, and education positively related, to the likelihood that someone becomes a Hezbollah fighter.
Porque será que uma medida liberal, fazer pagar os utilizadores de uma serviço, foi implementada por um trabalhista da primeira via, Ken Livingstone? Por ser de elementar bom senso, talvez. Um exemplo a seguir em muitas outras cidades.
Wolfowitz no Público José Manuel Fernandes explica o caso. O jornal publica um esclarecimento. Miguel Sousa Tavares insiste na falsidade (admito não ser uma mentira deliberada), não só acerca de Wolfowitz, como de Hans Blix, cujas afirmações nunca corroboraram as afirmações dos opositores da coligação que interveio no Iraque.

2003-06-06

Vejam o Jaquinzinhos sobre o Forum da Realidade Virtual. Imperdível.
Oda a los Números
Qué sed
de saber cuánto!
Qué hambre
de saber
cuántas
estrellas tiene el cielo!

Nos pasamos
la infancia
contando piedras, plantas,
dedos, arenas, dientes,
la juventud contando
pétalos, cabelleras.
Contamos
los colores, los años,
las vidas y los besos,
en el campo
los bueyes, en el mar
las olas. Los navíos
se hicieron cifras que se fecundaban.
Los números parían.
Las ciudades
eran miles, millones,
el trigo centenares
de unidades que adentro
tenían otros números pequeños,
más pequeños que un grano.
El tiempo se hizo número.
La luz fue numerada
y por más que corrió con el sonido
fue su velocidad un 37.
Nos rodearon de números.
Cerrábamos la puerta,
de noche, fatigados,
llegaba un 800,
por debajo,
hasta entrar con nosotros en la cama,
y en el sueño
los 4000 y los 77
picándonos la frente
con sus martillos o sus alicates.
Los 5
agregándose
hasta entrar en el mar o en el delirio,
hasta que el sol saluda con su cero
y nos vamos corriendo
a la oficina,
al taller,
a la fábrica,
a comenzar de nuevo el infinito
número 1 de cada día.

Tuvimos, hombre, tiempo
para que nuestra sed
fuera saciándose,
el ancestral deseo
de enumerar las cosas
y sumarlas,
de reducirlas hasta
hacerlas polvo,
arenales de números.
Fuimos
empapelando el mundo
con números y nombres,
pero
las cosas existían,
se fugaban del número,
enloquecían en sus cantidades,
se evaporaban
dejando
su olor o su recuerdo
y quedaban los números vacíos.

Por eso,
para ti
quiero las cosas.
Los números
que se vayan a la cárcel,
que se muevan
en columnas cerradas
procreando
hasta darnos la suma
de la totalidad del infinito.
Para ti sólo quiero
que aquellos
números del camino
te defiendan
y que tú los defiendas.
La cifra semanal de tu salario
se desarrolle hasta cubrir tu pecho.
Y del número 2 en que se enlazan
tu cuerpo y el de la mujer amada
salgan los ojos pares de tus hijos
a contar otra vez
las antiguas estrellas
y las innumerables
espigas
que llenarán la tierra transformada.

Pablo Neruda
Jornalismo de Ficção é o veredito do Rui, colaborador virtual deste blogue, acerca da desinformação que grassa pelos nossos meios de comunicação social.
Ironias Eduardo Prado Coelho no Público de ontem:
Recordo um exemplo da minha experiência pessoal. Quando fui conselheiro cultural em Paris, dei uma entrevista a um correspondente do "Expresso" sobre questões de língua e cultura portuguesas em França. Nela dizia o que ainda hoje penso: que era irrealista pedir aos luso-descendentes que levassem os seus filhos a escolher o português como primeira língua estrangeira; que era legítimo que, por motivos de formação profissional e mercado de trabalho, eles escolhessem o inglês como primeira língua estrangeira desde que escolhessem o português como segunda língua estrangeira.

O texto da entrevista dizia isto mesmo. Mas havia uma caixa que afirmava apenas o seguinte: "É perfeitamente compreensível que os portugueses em França escolham o inglês como língua estrangeira." Nada nesta frase corresponde a coisas que eu não tenha dito, desde que se tenha em conta que eu disse mais coisas que vieram alterar o sentido final desta mesma frase. O modo como as coisas eram apresentadas suscitou uma montanha de telefonemas indignados.


Ironias do destino. Eduardo Prado Coelho deveria ter aprendido a lição. Citar fora do contexto é muitas vezes um acto deliberado de desinformação. Que dizer então da sua crónica no Público de quarta-feira?
Não foi sem espanto nem perplexidade que o mundo tomou conhecimento das declarações de Paul Wolfowitz à revista "Vanity Fair". Não pelo facto do que ele disse, que apenas confirma suspeitas que o cidadão comum já tinha, mas por ter tido o desplante de o dizer. Que afirmou Wolfowitz, número dois da hierquia da Defesa americana?

Que o famoso argumento de que o Iraque possuía armas de destruição maciça tinha sido avançado apenas por "razões burocráticas" - certamente as mesmas razões burocráticas que levam os responsáveis americanos a considerar que a contagem das vítimas civis na invasão do Iraque pelos EUA "não é uma prioridade". Por outras palavras, foi o que a administração americana arranjou de melhor para justificar a sua acção. E Wolfowitz acrescenta que, no seio da administração americana, "chegámos à conclusão que o tema das armas de destruição maciça era a única razão que permitia pôr toda a gente de acordo", embora a verdadeira razão, para este estratega, tenha sido o facto quase despercebido de permitir aos EUA retirar as suas tropas da Arábia Saudita, que eram um pretexto permanente para a rede Al-Qaeda, "permitindo assim abrir a porta a um Próximo Oriente mais pacífico".


Pois é, caro EPC, convém ter um pouco mais cuidado. Que tal ler to texto integral da entrevista?
A Arrogância da Esquerda Continua Diz o Linhas de Esquerda:
Zé Mário do BDE afirma que a esquerda ainda acredita na humanidade. Eu partilho dessa opinião e acrescento que a esquerda na sua maioria é o garante e o poço da moralidade social. Não dos falsos moralismos, que se confundem com os bons costumes inscritos na bíblia do jet-set, mas aqueles que permitem uma sociedade avançar coesa para o futuro. Sentimentos como a solidariedade, a partilha, o voluntarismo entre outros são abraçados pela esquerda de uma maneira mais aberta e desinteressada. Resumindo, penso que a capacidade para o altruísmo é superior na esquerda do que na direita não implicando que a primeira tenha o monopólio dele.

É por isso que durante anos, nos meios de esquerda (familiares) por onde me movimentei, a caridade era apresentada como imoral e destinando-se a satisfazer o amor próprio de quem praticava o acto caridoso. O argumento era sempre o de que devia ser a acção social do estado a resolver o problema, acção social essa que, se não funcionava bem, era por não termos ainda um estado verdadeiramente socialista. Pelos vistos este discurso absurdo e profundamente estúpido continua. Note-se bem: "não dos falsos moralismos, que se confundem com os bons costumes inscritos na bíblia do jet-set". Um acto altruista vindo da esquerda? É verdadeiro e desinteressado. Vindo da direita? É falso e interesseiro. Não é isto o maior dos preconceitos e a maior das arrogâncias?
Via o excelente e atento Valete Frates!, mais sobre as manipulações das afirmações de Wolfowitz:

NOVA MANIPULAÇÃO JORNALÍSTICA: O DISCURSO DE WOLFOWITZ NOTICIADO PELO GUARDIAN (e pelo Público)

Parece que um jornal Alemão noticiou uma entrevista de Paul Wolfowitz. A tradução dessa notícia em alemão foi manipulada e permitiu ao Guardian noticiar que Wolfowitz justificava a guerra no Iraque com o argumento do petróleo. O Público faz hoje eco desta notícia.

No entanto, desde ontem que se sabe que esta notícia é MENTIRA.

O Instapundit revela TODA A VERDADE (aqui). Daniel Drezner também blogou sobre o assunto.

Como se pode ler na transcrição da entrevista, o que Wolfowitz disse foi o seguinte:
Look, the primarily difference - to put it a little too simply - between North Korea and Iraq is that we had virtually no economic options with Iraq because the country floats on a sea of oil. In the case of North Korea, the country is teetering on the edge of economic collapse and that I believe is a major point of leverage whereas the military picture with North Korea is very different from that with Iraq. The problems in both cases have some similarities but the solutions have got to be tailored to the circumstances which are very different.


Portanto, o grande crime de Wolfowitz foi dizer que enquanto o petróleo iraquiano colocava o regime saddamita ao abrigo da pressão das sanções económicas, o mesmo não acontece com a Coreia do Norte. Sacanas dos neo-conservadores, cambada de imperialistas, cambada de colonialistas, cambada de...americanos.

É este o jornalismo a que temos direito? É isto jornalismo?

Esperemos pelo desmentido e pelo pedido de desculpas...(sentados).

P.S. Entretanto o Guardian já retirou a notícia do site (aqui)...e PUBLICOU O PEDIDO DE DESCULPAS (aqui). Agora só falta o Público...

P.S.2 Linhas de Esquerda sent the e-mail that motivated this post.

P.S.3 Pelos vistos, já outros blogs Intermitente, Jaquinzinhos, Abrupto, Liberdade de Expressão) tinham tratado esta questão. De qualquer forma, nestes casos nunca é demais denunciar estas manobras de desinformação.

P.S.4 A alegria com que a esquerda acolhe estas mentiras e a forma escarniçada como se agarra a elas (contra toda a evidência), ilustram bem o estado de alma em que se encontra.

(Entrada do blogue Valete Frates!, transcrita sem a devida autorização, mas por uma boa causa.)
Daniel Oliveira volta a atacar Diz ele no Blog de Esquerda:
O Pedro Lomba desafia a lógica e isso é divertido. O Pedro Lomba está contente, mesmo muito satisfeito, porque ao contrário do que dizia a extrema-esquerda histérica anti-americana primária, os americanos não plantaram armas de destruição massiva no Iraque. Não! Foram honestos. Atacaram e nem se preocupam em esconder que era tudo uma mentira. O senhor Wolfowitz contou tudo à comunicação social: foi ele que inventou a história porque achou que ela resultava. O homem é um génio. Um irresponsável, mas um génio. Um fanfarrão desbocado, mas um génio. Um dia, sentado à lareira, ainda há-de apontar para uma velha fotografia de Bagdad destruída e dizer ao seu neto, com um sorriso doce e orgulhoso, «fui eu, meu querido, isto fui eu que fiz». Assassinos sim. Mas honestos.

Pelos vistos Daniel Oliveira não tem lido jornais (nem blogues). Caso contrário teria evitado repetir a indignação sem fundamento que nos últimos dias invadiu editoriais e artigos de opinião: há já dias que se sabe que a citação das palavras de Wolfowitz feita pela Vanity Fair foi retirada do seu contexto, tendo-se com isso deturpado total e propositadamente o seu sentido.

Numa coisa, porém, Daniel Oliveira tem razão. É absurdo que Pedro Lomba, que apoiou a intervenção no Iraque, se regozije agora pelo facto de os EUA não terem "plantado as provas" no terreno, como a esquerda em peso desejou que acontecesse. Esse regozijo lança fundadas suspeitas de que no fundo Pedro Lomba receou que os EUA de facto falsificassem provas da existência de armas de destruição em massa no Iraque, pois de outra forma não teria esperado pelas declarações da administração americana de que ainda não há sinais delas. Além disso, coloca-o na posição desconfortável de, no caso de as armas serem mesmo encontradas, ter de ser coerente e admitir que afinal elas possam de facto lá ter sido "plantadas": como poderia ele provar o contrário?

Pedro Lomba nunca deveria ter invertido o ónus da prova. Quem disse que as provas seriam falsificadas que o demonstre, se puder. A verdade é simplesmente que essas afirmações revelam cinismo doentio e raiva cega. A mesma raiva que leva Daniel Oliveira a terminar a sua diatribe dizendo que os membros da administração de Bush, e Wolfowitz em particular, são "assassinos". Onde Daniel Oliveira foi encontrar os assassinos... Será que uma excursão às valas comuns no Iraque apuraria o seu faro político?

2003-06-05

As citações desonestas de Wolfowitz continuam. Vejam o Valete Frates! e o Intermitente.

2003-06-04

Aos habitantes da Biblioteca de Babel faltava o Google, o maravilhoso Google.
Ocorreu-me que o crescimento da Web a transformará numa Biblioteca de Babel:

Cuando se proclamó que la Biblioteca abarcaba todos los libros, la primera impresión fue de extravagante felicidad. Todos los hombres se sintieron señores de un tesoro intacto y secreto. No había problema personal o mundial cuya elocuente solución no existiera: en algún hexágono. El universo estaba justificado, el universo bruscamente usurpó las dimensiones ilimitadas de la esperanza. En aquel tiempo se habló mucho de las Vindicaciones: libros de apología y profecía, que para siempre vindicaban los actos de cada hombre del universo y guardaban arcanos prodigiosos para su porvenir. Miles de codiciosos abandonaron el dulce hexágono natal y se lanzaron escaleras arriba, urgidos por el vano propósito de encontrar su Vindicación. Esos peregrinos disputaban en los corredores estrechos, proferían oscuras maldiciones, se estrangulaban en las escaleras divinas, arrojaban los libros engañosos al fondo de los túneles, morían despeñados por los hombres de regiones remotas. Otros se enloquecieron ... Las Vindicaciones existen (yo he visto dos que se refieren a personas del porvenir, a personas acaso no imaginarias) pero los buscadores no recordaban que la posibilidad de que un hombre encuentre la suya, o alguna pérfida variación de la suya, es computable en cero.


La Biblioteca de Babel, Jorge Luis Borges

Alguém terá alguma vez analisado os escritos de Borges do ponto de vista matemático?

2003-06-03

Desprezo da direita Uma conversa:

Rui: É que não há mesmo melhoras:
Uma das diferenças principais entre a esquerda e a direita tem a ver com a capacidade de acreditar, ou não, no Homem, na Humanidade, na natureza humana (chamem-lhe o que quiserem). A direita não acredita e faz gala de exibir o seu desprezo pelas multidões, pela "maralha", enquanto defende que no fundo somos todos intrinsecamente maus como as cobras, com as devidas e beatíficas excepções. Nós, na esquerda, somos lúcidos e por isso também temos os nossos momentos de cepticismo (basta ir ao Centro Comercial Colombo nas vésperas de Natal). Mas depois temos essa arma extraordinária que é a esperança. Sabemos que o Homem não é intrinsecamente bom, mas esperamos que um dia venha a ser. Enquanto houver gestos como o da Cristina, vale a pena resistir ao desânimo e sobreviver às desilusões.

Manuel: De onde veio isso?
Rui: Adivinha, vá... ;-)
Manuel: EPC? Caramba! Como fui capaz? ;-)
Rui: Ná. Nem ele nos seus piores dias é capaz de uma coisa destas... Foi o nosso amigo "Zé Mario" do Blog de Esquerda.
Manuel: Oh... Falhei...
Rui: É curioso, depois de tanta ternurice "estala a bomba e o preconceito está no ar".
Manuel: Vale a pena responder-lhe.
Rui: É tao mau e tão preconceituoso que acho que não. Tudo o que nós lhe dissermos deve-se à nossa "maldade".
Manuel: Vale, vale. É bom que estas coisas fiquem esclarecidas.
Rui: É triste ver como esta gente é preguiçosa. Dão-lhe um qualquer catecismo e pronto... é evangelizar minha gente...
Manuel: É verdade que a direita é céptica em relação à natureza humana. Que não tem ilusões. Mas não despreza ninguém. Antes pelo contrário. Quanto à esperança, o Zé Mário não clarifica (convenientemente) se essa esperança é próxima ou longíqua. Se for próxima, abre-se de novo o caminho para o "homem novo" socialista. O tal que foi criado à força. Se não, não tem relevância política. O cepticismo em relação à natureza humana é que a leva a propor sistemas políticos com órgãos independentes, que se controlam mutuamente, e a deixar muito fora da alçada do estado.
Rui: Ora nem mais. O que torna totalmente falaciosa a crenca na bondade humana da esquerda. Nada mais do que o liberalismo faz fé na "não-maldade" do Homem. Isto é, por defeito, a "maralha" porta-se bem. Quando não, isto é quando cercia a liberdade dos outros, então os orgãos (surpresa, surpresa, do Estado) intervêm. That's it!
Manuel: É verdade. É uma posição de princípio de confiança, embora com mecanismos de coerção preparados para intervir em caso de abuso. Mas é também uma posição de realismo. O ser humano só pode ser feliz se for livre de fazer as suas asneiras, de se desenvolver autonomamente. Se puder chamar seu a alguma coisa.
Rui: Por oposição a isto, nos outros sistemas é que a desconfiança apriorística existe. Exemplo: se tu tens a inicativa de fazer alguma coisa, então és um porco capitalista que só queres é ganhar dinheiro à custa dos outros... é simplista mas é a realidade... vai daí o melhor é o Estado fazer tudo porque nos somos é todos uns grandes malandros...
Manuel: Lutar por um comunitarismo com o qual a natureza humana é incompatível é que é perverso.
Rui: Só faz sentido quando resulta de uma escolha também ela livre: e.g., as comunidades religiosas. Nada contra, podiam ter escolhido outra forma de vida totalmente diferente.
Manuel: Verdade. Totalmente verdade. A esquerda o que gosta, no fundo, é que haja um Lynce que, numa atitude totalmente centralista, e lembrando os planos quinquenais, decide omnisciente sobre o número de vagas a reduzir em todos os cursos de todas as universidades públicas. Irónico? Não... Se o ministro fosse de esquerda, i.e., verdadeiramente honesto e inteligente, tomaria as suas decisões de forma incontestável... Seria apenas necessário fazer-lhe uma vénia e esperar por outras decisões infalíveis.
Rui: "Brincando" com o Luís, chamei àquela coisa do reduzir as vagas nas grandes cidades "a Pol Potização" do ensino superior.
Manuel: Absolutamente! Os kibutz, por exemplo. Se querem, nada a objectar! É isso o liberalismo. Mas a intenção do socialismo era impor o comunitarismos aos outros. A ideia é bonita, em abstracto. Por isso deve ser aplicada. Os cidadãos não querem? Coitados, não sabem o suficiente. Imponha-se.
Manuel: Exactamente! Um total absurdo que arruína a imagem positiva que o ministro vinha criando com o aumento das propinas e as alterações na gestão das escolas.
Rui: Claro que concordo que os estabelecimentos de ensino superior representam uma coisa importante para as cidades do interior. Lancaster é um óptimo exemplo. No entanto... Lancaster tem os alunos que tem à custa da qualidade de ensino que tem, dos Professores que tem, e do facto destes terem aqui condições que são suficientemente interessantes para estar aqui e não em Londres ou qualquer outra cidade do Sul.
Manuel: Exacto. É muito soviético isto de levar as pessoas para o interior piorando as condições no litoral...
Rui: Por exemplo, o meu orientador não dá aulas porque a Universidade acha que é mais importante ele apenas orientar Ph.D. e ter projectos internacionais de onde sai o salário dele - o qual se não me engano é acordado individualmente - oooppppsss que lá toquei noutro dogma - o da contractação colectiva ... desculpem... é esta maldade que do meu lado direito me vem
Manuel: Nos EUA também é assim. O serviço docente depende da investigação feita. O salário é contratado individualmente. Pelos vistos dá resultado...
Rui: Que ideia absurda a tua. Entao essa gente dos EUA não são todos uns "grunhos" brutos, incultos e do culto da violencia????
Manuel: Uns cóbois ignorantes que não sabem onde fica Portugal no mapa. E que chamam grecians aos gregos!
Rui: Assim como qualquer português aponta no mapa - com venda e depois de 50 piruetas - o estado do Wisconsin, ou o Estado do Pará... somos assim poços sem fundo de cultura...
Manuel: Exacto. Sabes, no fundo liberalismo é uma posição de simples bom senso. Por isso é tão usual os jovens serem esquerdistas e, já adultos, irem crescendo para a direita... Só não acontece a quem é imune à experiência.
Rui: É o preconceito sabes. Nada mais do que o preconceito. O confortável e pouco exigente preconceito.
Rui: Era tão bom tudo ser assim....
Manuel: E uma cegueira que impede de ver a forma como realmente somos.
Rui: Norte americano -> cóboi ignorante
Rui: De direita -> gente intrinsecamente boa mas que se perdeu e perdeu a esperanca nos outros.
Rui: É como te ia dizendo no início. É por estas e por outras que me questiono se valerá a pena responder...
Manuel: Vale! Importas-te que coloque esta conversa no blogue?
Rui: Siga, siga, sempre serve de "resposta".

2003-06-01

Esther Mucznick tem razão quando diz que Arafat, "O Velho", é o maior obstáculo à paz no médio oriente. Não tem razão quando diz que a Europa, ao continuar a prestar vassalagem ao "Velho", continuará a ser irrelevante no processo de paz. Na realidade, a Europa arrisca-se a ter um relevantíssimo papel: fazer o processo descarrilar.
Helena Matos responde a Mahomed Yiossuf Mohamed Adgamy. Não resisto a colocar aqui os versos sobre a liberdade que cita no final da sua resposta:

Chorei quando vi passar
Livre sobre mim voando
O bando de cortiçóis
Nem grades nem grilhetas os detinham
Não foi por inveja que fiquei chorando...
Apenas nostalgia de ser livre.


Al-Mu'tamid (tradução de Adalberto Alves)
As Contas de Ralf Dahrendorf Como pode Ralf Dahrendorf repetir números que já ouvi citados por anti-americanos de um primarismo confrangedor? Onde encontrou Ralf Dahrendorf informação acerca dos resultados eleitorais nos EUA? Como concluiu ele que "poucos presidentes americanos têm sido apoiados por mais de dez por cento dos eleitores"? Alguns números obtidos na Federal Election Comission:

  • População total nos EUA: 280 562 489 (estimada em Julho de 2002, segundo o CIA Fact Book)
  • Eleições presidenciais de 2000:

    • População em idade de votar: 205 815 000 (aproximadamente 73% da população)
    • População registada para votar: 156 421 311 (76% da população em idade de votar)
    • Total de votos expressos: 105 405 100 (67,5% da população registada e 51,3% da população em idade de votar)
    • Votos expressos em George W. Bush: 50 456 002 (47,87% dos votantes, 24,5% da população em idade de votar)
    • Votos expressos em Al Gore: 50 999 897 (48,38% dos votantes)

  • Eleições presidenciais de 1996:

    • População em idade de votar: 196 498 000 (aproximadamente 70% da população)
    • População registada para votar: 146 211 960 (74,4% da população em idade de votar)
    • Total de votos expressos: 96 277 634 (65,8% da população registada e 49,0% da população em idade de votar)
    • Votos expressos em Bill Clinton: 47 402 357 (49,24% dos votantes, 24,1% da população em idade de votar)
    • Votos expressos em Bob Dole: 39 198 755 (40,71% dos votantes)


10% de apoio ao presidente eleito? Afinal, Clinton e Bush foram eleitos por 24,1% e 24,5% da população em idade de votar, respectivamente... Nem metade dos possíveis votantes estão registados? Afinal, são cerca de 75%! Nem metade dos registados vota? Afinal são cerca de 66%! Dos que votam, menos de metade votam no candidato vencedor? Sim, desta vez é verdade. Mas convenhamos que 47,87% e 49,24% são pouco menos de metade...

Nada pior do que a desinformação.