No início a nossa oposição à ocupação estrangeira será exprimida por meios pacíficos. As pessoas tem apenas armas ligeiras, nada comparável à potência americana. Mas se a certo ponto a não-violência não der resultados, então decidiremos o que fazer.
2003-04-21
Karbala Centenas de milhar de peregrinos dirigem-se para Karbala, lugar sagrado para os Shiitas. A peregrinação estava proibida há 35 (?) anos pelo regime de Saddam Hussein. A grande maioria desses peregrinos manifesta-se livremente contra a presença dos norte-americanos no Iraque, como nunca pôde fazer sob a ditadura de Saddam Hussein. É compreensível e é, até certo ponto, um bom sinal. De facto, todos desejamos que as tropas possam sair tão rápido quanto possível. Mas não será um pouco... cedo demais? Esta impaciência pode ser mau sinal. Talvez demonstre a vontade de muitos de impor um regime islamista no Iraque. Esperemos que não e que por entre as manifestações haja gente suficiente com bom-senso para perceber que criar um governo interino para o Iraque demorará algum tempo. Mas algumas declaração revelam uma violência latente que não é bom augúrio:
2003-04-20
Surrealismo automático
...na antemente de sol dourada de jantava, esfolega Carlos da célula, alguma cada instante, falou do velha de botoeira... Castro Gomes. Depois animada, com aquela sorte, apenas ornara queixou calor ser feridade novo a soirée aconteve:
- Aí estão?
Ela só devoção indo eles em que cavalam no jaqueta fechada. E ninguém aludi a uma horror, um vago chapéu na Madeiro acabaria porém a tia em Santa lassificante. E agora, o Euzébio Silva, o banco na libras sonoros à quinta.
- Este Ega - e a epidemia, rec...
...na antes de hotel. No largo monogramas. E como eram um rendez-vous, chorando o braços, sorrisos alemães, no Brasil. Ora a Sr.ª Adélia, grulhavam, a sabia o Sr. Domingo envolvido num deslumbrado sobrecasaca mal acordava a ideia as feri-lo-hia, e abraço!
Craft já a impressionou-se aos seus vestia-se abanca, nervosamente, apanhou a portão onde morte. O avô não a tinha o estilo, deviam permanecera para sempre desejo seu relevo, enfureceu a Marinha menos: "O deus belos cada praça, de legenda, e des...
("Textos" gerados usando a técnica descrita no artigo seminal da teoria da informação, de Claude Shannon. Estatísticas do português obtidas a partir de "Os Maias".)
...na antemente de sol dourada de jantava, esfolega Carlos da célula, alguma cada instante, falou do velha de botoeira... Castro Gomes. Depois animada, com aquela sorte, apenas ornara queixou calor ser feridade novo a soirée aconteve:
- Aí estão?
Ela só devoção indo eles em que cavalam no jaqueta fechada. E ninguém aludi a uma horror, um vago chapéu na Madeiro acabaria porém a tia em Santa lassificante. E agora, o Euzébio Silva, o banco na libras sonoros à quinta.
- Este Ega - e a epidemia, rec...
...na antes de hotel. No largo monogramas. E como eram um rendez-vous, chorando o braços, sorrisos alemães, no Brasil. Ora a Sr.ª Adélia, grulhavam, a sabia o Sr. Domingo envolvido num deslumbrado sobrecasaca mal acordava a ideia as feri-lo-hia, e abraço!
Craft já a impressionou-se aos seus vestia-se abanca, nervosamente, apanhou a portão onde morte. O avô não a tinha o estilo, deviam permanecera para sempre desejo seu relevo, enfureceu a Marinha menos: "O deus belos cada praça, de legenda, e des...
("Textos" gerados usando a técnica descrita no artigo seminal da teoria da informação, de Claude Shannon. Estatísticas do português obtidas a partir de "Os Maias".)
2003-04-19
Absurdo Os vizinhos do Iraque reuniram-se na Arábia Saudita. Um relato no Times of Oman:
Tudo o que disseram já foi dito antes por Bush e Blair, com excepção do papel das Nações Unidas. Estes encontros destinam-se mais a consumo interno do que propriamente para contribuirem alguma coisa para a resolução do problema iraquiano. Isso é evidente quando dizem que "the Iraqi people should already have been engaged in picking their own government". Tendo em conta que o regime de Saddam caiu há uma semana, não se vê como seria possível ter já havido eleições...
“This requires the withdrawal of foreign forces in order to enable the Iraqi people to choose their government in full freedom. Moreover, the United Nations must play an essential role” in Iraq, he said. Maher said the countries represented at the meeting — host Saudi Arabia, Iran, Jordan, Kuwait, Turkey and Syria, all neighbours of Iraq, in addition to Egypt and current Arab League chair Bahrain — hoped US and British forces would pull out of Iraq “as soon as possible”. He said none of the participants at the meeting could live with a military government in Iraq and the Iraqi people should already have been engaged in picking their own government.
“We call on the occupying authority, which we hope will withdraw from Iraq as soon as possible, to quickly put in place an interim government with a view to putting in place a constitutional government,” Prince Saud said.
“Iraq’s territory and wealth belong to Iraqis,” he said, adding that the United Nations must play a key role in the country.
Tudo o que disseram já foi dito antes por Bush e Blair, com excepção do papel das Nações Unidas. Estes encontros destinam-se mais a consumo interno do que propriamente para contribuirem alguma coisa para a resolução do problema iraquiano. Isso é evidente quando dizem que "the Iraqi people should already have been engaged in picking their own government". Tendo em conta que o regime de Saddam caiu há uma semana, não se vê como seria possível ter já havido eleições...
As Nações Unidas não vão longe Uma resolução com uma crítica firme às detenções de dissidentes em Cuba foi rejeitada na Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas, tendo sido aprovada uma resolução bastante mais branda. Ainda assim, o Brasil e a Argentina abstiveram-se (a Venezuela votou contra). Cuba, naturalmente, regozijou com o resultado. A história na CBS News. Não esquecer que a comissão é presidida pela Líbia.
2003-04-18
A pedido da União dos Blogues Livres seguem mais resultados dos vários testes políticos disponíveis na webosfera:
The Student Center Political Test: Moderate/Independent
The Political Quiz Show: 24 pontos (George Bush)
US Party Matchmaking: Libertarian Party (62%)
The Student Center Political Test: Moderate/Independent
The Political Quiz Show: 24 pontos (George Bush)
US Party Matchmaking: Libertarian Party (62%)
Mentiras? É bom ter Miguel Sousa Tavares de volta ao Público, pois fazem-nos falta bons pensadores, sem papas na língua e com espírito independente. Dito isto, não posso deixar de comentar algumas das suas afirmações:
Será o que parece? Estará realmente Miguel Sousa Tavares a dizer que um erro num bombardeamente é equivalente a ganhar o controlo de um avião comercial pejado de passageiros e espetá-lo contra um edifício cheio de população civil? A guerra equivale-se ao terrorismo, para ele?
As dúvidas dissipam-se. Para Miguel Sousa Tavares é tudo o mesmo: fundamentalismo islâmico e a religiosidade de George W. Bush, um ataque terrorista e uma guerra a um regime despótico e assassino.
Mais à frente Miguel Sousa Tavares elenca as supostas mentiras "dos que temos como democratas":
Relativamente às ligações à Al-Qaeda, é verdade que os indícios eram, no mínimo, pouco convincentes. Mas o apoio ao terrorismo palestiniano era bem conhecido, nomeadamente quanto aos subsídios dados às famílias de bombistas suicidas. Quanto às armas de destruição em massa, é elucidativo ouvir o que Hans Blix tem para dizer sobre o assunto (desta vez extraído de uma entrevista publicada na revista Actual, do Expresso):
Mas Miguel Sousa Tavares continua:
Aqui tem razão. Não me parece que isso tenha acontecido.
Não me lembro de ninguém ter falado em milhares de civis abatidos nestas circunstâncias. Referiu-se o incidente, que se receava poder generalizar-se mas que acabou por ser pontual.
A administração americana lançou um aviso forte a esse respeito, relativamente à exibição televisiva dos prisioneiros de guerra, mas não me lembro de ter afirmado nunca que tinham havido torturas. Referiu-se a certa altura que algumas mortes de soldados americanos pareciam ter correspondido a execuções. O assunto não voltou a ser referido, pelo que neste ponto Miguel Sousa Tavares tem aparentemente razão.
A mistura entre o ataque às emissões da televisão iraquiana, correia de transmissão de um regime totalitário, e ao Hotel Palestina, presumivelmente devido a um erro, é pouco honesta.
Aqui Miguel Sousa Tavares antecipa-se à realidade. Estão neste momento a decorrer as conversações sobre o governo interino do Iraque. Esperemos para ver.
Começaram já a desembarcar equipamento e medicamentos em alguns hospitais de Bagdad. Tudo leva a crer que a situação começa a estar sob controlo. Recordo que a guerra começou há menos de um mês...
Não é verdade. Essa intenção foi manifestada desde o início. É verdade que cometeram um erro indesculpável ao não controlar as pilhagens em Bagdad, mas de resto parecem estar tentar ocupar-se do Iraque e da sua reconstrução.
Quanto ao caos e à anarquia, tem razão, embora o problema tenha já sido em grande medida resolvido. As sementes da guerra civil, admitindo que existem, já lá estavam antes da intervenção. Temos de esperar para ver como e se conseguirão impedir que essas sementes acabem por germinar.
Recordo que o "massacre" foi de alguns milhares de civis, que não foram alvejados propositadamente. É necessário manter os números em proporção. Houve muito mais vítimas do que o desejável, mas muito menos do que se receava. Ninguém pode dizer que estas mortes se justificaram. Mortes de civis numa guerra não se justificam. Quanto a mim o que se justificou foi o ataque em si, que de resto foi feito na sua generalidade com tanto cuidado quanto é possível numa guerra.
Nós não podemos aceitar o sofrimento de Ali, da mesma forma que não aceitamos o sofrimento das vítimas da barbárie do 11 de Setembro. Nós não podemos aceitar o terror como resposta ao terror porque não podemos aceitar que o sofrimento dos inocentes seja uma forma legítima de guerra, em Manhattan ou em Bagdad.
Será o que parece? Estará realmente Miguel Sousa Tavares a dizer que um erro num bombardeamente é equivalente a ganhar o controlo de um avião comercial pejado de passageiros e espetá-lo contra um edifício cheio de população civil? A guerra equivale-se ao terrorismo, para ele?
Isso significa que, em nome dos valores em que acredito e da civilização a que pertenço, eu não aceito o terrorismo, nenhuma forma de terrorismo: o muçulmano ou árabe, o israelita ou americano. Não aceito a fé religiosa que manda matar, ou com aviões desviados contra as cidades ou com "tomahawks" despejados do céu, em nome de Alá, de Jeová ou do pretenso Deus cristão que inspira aquela gente perigosa que se apoderou do Governo dos Estados Unidos.
As dúvidas dissipam-se. Para Miguel Sousa Tavares é tudo o mesmo: fundamentalismo islâmico e a religiosidade de George W. Bush, um ataque terrorista e uma guerra a um regime despótico e assassino.
Mais à frente Miguel Sousa Tavares elenca as supostas mentiras "dos que temos como democratas":
E nós não podemos aceitar que os que temos como democratas nos mintam, sem vergonha. Que nos mintam sobre a ameaça terrorista do Iraque, que nos mintam sobre as suas armas de destruição maciça,
Relativamente às ligações à Al-Qaeda, é verdade que os indícios eram, no mínimo, pouco convincentes. Mas o apoio ao terrorismo palestiniano era bem conhecido, nomeadamente quanto aos subsídios dados às famílias de bombistas suicidas. Quanto às armas de destruição em massa, é elucidativo ouvir o que Hans Blix tem para dizer sobre o assunto (desta vez extraído de uma entrevista publicada na revista Actual, do Expresso):
E quer regressar [às inspecções]?
Sim, claro. Esse é o nosso trabalho. Ninguém está mais curioso do que nós quanto às armas de destruição maciça no Iraque.
[...]
Considera que as armas de destruição maciça eram razão suficiente para se ir para a guerra?
(Pausa prolongada) Penso que com uma autorização do Conselho de Segurança teria sido justificação suficiente para uma intervenção armada, sim. No fim de contas, o Iraque violou um tratado de não proliferação e também não colaborou como devia no cumprimento da Resolução 687.
Mas Miguel Sousa Tavares continua:
que nos mintam sobre a população civil usada como escudos pelo exército iraquiano,
Aqui tem razão. Não me parece que isso tenha acontecido.
que nos mintam sobre "os milhares de civis" abatidos a tiro pelas milícias iraquianas quando pretenderiam fugir de Bassorá,
Não me lembro de ninguém ter falado em milhares de civis abatidos nestas circunstâncias. Referiu-se o incidente, que se receava poder generalizar-se mas que acabou por ser pontual.
que nos mintam sobre os prisioneiros de guerra da coligação supostamente torturados e abatidos à queima-roupa e que afinal aparecem libertados e sem maus tratos alguns,
A administração americana lançou um aviso forte a esse respeito, relativamente à exibição televisiva dos prisioneiros de guerra, mas não me lembro de ter afirmado nunca que tinham havido torturas. Referiu-se a certa altura que algumas mortes de soldados americanos pareciam ter correspondido a execuções. O assunto não voltou a ser referido, pelo que neste ponto Miguel Sousa Tavares tem aparentemente razão.
que nos mintam sobre o respeito que lhes merece a liberdade de imprensa e depois bombardeiem sem pudor as estações de televisão que lhes contrariam a propaganda,
A mistura entre o ataque às emissões da televisão iraquiana, correia de transmissão de um regime totalitário, e ao Hotel Palestina, presumivelmente devido a um erro, é pouco honesta.
que nos mintam quando prometem levar ao Iraque a liberdade e a democracia e depois lhes pretendam impor dirigentes fantoches sem qualquer credibilidade interna e chefiados por um general americano que também fornece a componente essencial das bombas que mataram os que ele agora pretende administrar,
Aqui Miguel Sousa Tavares antecipa-se à realidade. Estão neste momento a decorrer as conversações sobre o governo interino do Iraque. Esperemos para ver.
que nos mintam quando prometeram levar água, comida e remédios ao Iraque e afinal se constata que não tinham qualquer plano para assistir as vítimas da guerra que desencadearam
Começaram já a desembarcar equipamento e medicamentos em alguns hospitais de Bagdad. Tudo leva a crer que a situação começa a estar sob controlo. Recordo que a guerra começou há menos de um mês...
e que, para além da segurança dos poços de petróleo, nada mais os preocupava e só a pressão do escândalo mundial os vai fazer finalmente e relutantemente ocuparem-se do país que devastaram.
Não é verdade. Essa intenção foi manifestada desde o início. É verdade que cometeram um erro indesculpável ao não controlar as pilhagens em Bagdad, mas de resto parecem estar tentar ocupar-se do Iraque e da sua reconstrução.
Que nos mintam quando prometeram levar ao Iraque a paz e o progresso e tenham deixado instalar o caos, a anarquia e as sementes da guerra civil entre nações e tribos.
Quanto ao caos e à anarquia, tem razão, embora o problema tenha já sido em grande medida resolvido. As sementes da guerra civil, admitindo que existem, já lá estavam antes da intervenção. Temos de esperar para ver como e se conseguirão impedir que essas sementes acabem por germinar.
Nós não podemos aceitar tanta mentira sem remorso, tanta irresponsabilidade, tanta ignorância, tanto aventureirismo arrogante. Como explicar a todos os milhares de Alis do Iraque que as mortes, o sofrimento, a destruição, as pilhagens, tudo valeu a pena em troca de se terem livrado de Saddam? Como explicar a esse miserável povo, "liberto" pelo massacre aéreo, que a "nossa" vitória é também a vitória deles?
Recordo que o "massacre" foi de alguns milhares de civis, que não foram alvejados propositadamente. É necessário manter os números em proporção. Houve muito mais vítimas do que o desejável, mas muito menos do que se receava. Ninguém pode dizer que estas mortes se justificaram. Mortes de civis numa guerra não se justificam. Quanto a mim o que se justificou foi o ataque em si, que de resto foi feito na sua generalidade com tanto cuidado quanto é possível numa guerra.
As Reacções do Costume No Público Última Hora referem-se as reacções dos estudantes às propostas governamentais de aumentar as propinas até ao limite de 770 € anuais, de penalizar os chumbos e de reduzir o peso dos estudantes nos órgãos de gestão das escolas superiores:
Perdi as minhas ilusões quando, há já quase 20 anos, as associações académicas organizaram uma greve protestando contra o aumento do preço das refeições nas cantinas de 20$ para 50$: a maior parte dos dirigentes associativos defendem os interesses mais mesquinhos e imediatos dos estudantes. A qualidade do ensino, da investigação e das instalações, por exemplo, surgem normalmente como apêndices destinados a dar alguma credibilidade às reivindicações, mas o essencial é sempre o mesmo: dinheiro e poder.
Quanto ao dinheiro, estamos a falar de 770 € no máximo, divididos por cerca de 30 semanas, ou 7 meses, de aulas (não contando com avaliações). Ou seja, de cerca 110 € por mês (22 contos), menos do que se paga em muitos infantários ou em qualquer escola secundária privada. O preço por hora de aula frequentada também é interessante. Admitindo que há 20 horas de aulas por semana e que o calendário escolar tem 28 semanas por ano, conclui-se que os alunos pagarão no limite 1,4 € por cada hora de aulas. Convenhamos que é barato. Muito barato.
Quanto ao poder, trata-se na maior parte dos casos de ter poder e influência suficiente para preservar o status quo. Por exemplo, para manter em vigor os calendários escolares mais estúpidos do mundo, com épocas de avaliação que se prolongam por meses a fio, com recursos atrás de recursos, e que impedem estudantes e professores de se dedicarem a tarefas verdadeiramente importantes, tais como a investigação ou a participação em cursos e estágios. Exemplo paradigmático era o ISCTE há dois anos (entretanto o calendário foi ligeiramente melhorado): 25 semanas de aulas (12 no 1º semestre e 13 no 2º) e 14 semanas de avaliação, sem contar com épocas especiais, contra 30 semanas de aulas (15 por semestre) e três semanas de avaliação na Universidade da Califórnia em Berkeley ou 28 semanas de aulas e duas semanas de avaliação no MIT, para dar apenas dois exemplos.
Espero que o governo tenha coragem suficiente para não voltar atrás com estas medidas, aliás bastante tímidas.
Em entrevista ao "Expresso", o ministro Pedro Lynce fala de um novo regime de propinas, com um valor mínimo ainda não definido, mas que poderá ser superior aos 350 euros que os estudantes pagam actualmente, e um valor máximo de 770 euros anuais, a entrar em vigor já no próximo ano lectivo, mas só para os novos estudantes universitários. A lei actual fixa a propina anual no valor de um salário mínimo nacional, o que quer dizer que a proposta do ministro eleva a quantia para o dobro da actual.
Pedro Lynce propõe também que os alunos que não completarem pelo menos 50 por cento das disciplinas em que se inscreveram tenham de pagar, no ano seguinte, uma taxa suplementar de 25 por cento sobre a propina, mas cujo valor nunca poderá ultrapassar a propina máxima.
O ministro revelou ainda que, no próximo ano, haverá menos 3500 vagas no ensino superior e que os estudantes perderão peso nos órgãos universitários a favor dos docentes doutorados, que passarão a ter mais de 50 por cento dos votos.
"Que belo fim de semana que o ministro nos deu", comentou o presidente da Federação Académica do Porto (FAP), que convocou para hoje mesmo uma reunião de emergência para debater o assunto. Nuno Mendes afirma nem querer acreditar no que leu: "Estou muito desiludido. Ao longo destes anos tenho tentado ser ponderado, moderado e sério nas análises que faço, mas depois disto a impressão que me dá é que o ministro olha para os estudantes como um alvo a abater".
O dirigente académico considera que a medida de Pedro Lynce de aumentar a propina apenas para os novos alunos é uma "jogada inteligente", mas "maquiavélica".
Quanto à intenção governamental de retirar poder aos estudantes nos órgãos universitários, Nuno Mendes diz que desde 1997 que está no movimento associativo e que nunca viu nada assim. "Parte de um homem que sempre disse estar contra 'lobbies' e que agora dá tudo o que tem e o que não tem aos professores", criticou.
Perdi as minhas ilusões quando, há já quase 20 anos, as associações académicas organizaram uma greve protestando contra o aumento do preço das refeições nas cantinas de 20$ para 50$: a maior parte dos dirigentes associativos defendem os interesses mais mesquinhos e imediatos dos estudantes. A qualidade do ensino, da investigação e das instalações, por exemplo, surgem normalmente como apêndices destinados a dar alguma credibilidade às reivindicações, mas o essencial é sempre o mesmo: dinheiro e poder.
Quanto ao dinheiro, estamos a falar de 770 € no máximo, divididos por cerca de 30 semanas, ou 7 meses, de aulas (não contando com avaliações). Ou seja, de cerca 110 € por mês (22 contos), menos do que se paga em muitos infantários ou em qualquer escola secundária privada. O preço por hora de aula frequentada também é interessante. Admitindo que há 20 horas de aulas por semana e que o calendário escolar tem 28 semanas por ano, conclui-se que os alunos pagarão no limite 1,4 € por cada hora de aulas. Convenhamos que é barato. Muito barato.
Quanto ao poder, trata-se na maior parte dos casos de ter poder e influência suficiente para preservar o status quo. Por exemplo, para manter em vigor os calendários escolares mais estúpidos do mundo, com épocas de avaliação que se prolongam por meses a fio, com recursos atrás de recursos, e que impedem estudantes e professores de se dedicarem a tarefas verdadeiramente importantes, tais como a investigação ou a participação em cursos e estágios. Exemplo paradigmático era o ISCTE há dois anos (entretanto o calendário foi ligeiramente melhorado): 25 semanas de aulas (12 no 1º semestre e 13 no 2º) e 14 semanas de avaliação, sem contar com épocas especiais, contra 30 semanas de aulas (15 por semestre) e três semanas de avaliação na Universidade da Califórnia em Berkeley ou 28 semanas de aulas e duas semanas de avaliação no MIT, para dar apenas dois exemplos.
Espero que o governo tenha coragem suficiente para não voltar atrás com estas medidas, aliás bastante tímidas.
Manifestações no Iraque O combate político no Iraque começou e com ele as manifestações, muitas contra a presença de tropas dos aliados. Estas manifestações são um bom sinal, desde que não degenerem em violência. São sinal de que começa um período perigoso e confuso, mas também de que houve uma verdadeira libertação no Iraque. Uma libertação que saiu cara e acerca da qual os iraquianos têm sentimentos contraditórios, sem dúvida, mas uma libertação. Serão os primeiros passos para uma democracia? Assim o espero, embora haja o perigo de os iraquianos democraticamente abandonarem o único aspecto positivo da ditadura de Saddam Hussein: o estado laico. É importante tentar evitar os problemas que ocorreram na Argélia, mas será possível?
2003-04-17
Hans Blix e as Armas de Destruição em Massa Tentativa de transcrição (de memória) de uma entrevista na BBC World:
Esta entrevista deve ter desiludido muita gente, mas Blix tem razão. Encontrem-se ou não armas de destruição em massa no Iraque, a decisão foi tomada com base numa possibilidade que se considerou suficientemente forte para a justificar.
As armas de destruição em massa foram o pretexo para a intervenção no Iraque. Julga será que foi mesmo essa a razão?
Sim. Nunca foram apresentadas provas da destruição dessas armas, pelo que havia a possibilidade de elas existirem. Depois do 11 de Setembro, os EUA decidiram que não podiam correr o risco de um novo ataque, possivelmente com armas nucleares, químicas ou biológicas. Os EUA apresentaram provas dos seus serviços secretos. Os EUA não fabricaram provas. Puseram essas palavras na minha boca, mas eu nunca o afirmei.
Esta entrevista deve ter desiludido muita gente, mas Blix tem razão. Encontrem-se ou não armas de destruição em massa no Iraque, a decisão foi tomada com base numa possibilidade que se considerou suficientemente forte para a justificar.
Balanço Pedro Mexia, na Coluna Infame, faz o primeiro balanço da guerra. Uma correcção e uma adenda às características:
Positivas:
- o número de de vítimas civis inferior ao que se receava (o número de vítimas militares iraquianas está por contabilizar).
Negativas:
- o número de de vítimas civis superior ao que se desejava.
Positivas:
- o número de de vítimas civis inferior ao que se receava (o número de vítimas militares iraquianas está por contabilizar).
Negativas:
- o número de de vítimas civis superior ao que se desejava.
2003-04-16
Seguindo uma sugestão do Liberdade de Expressão, e mesmo sabendo que este tipo de testes valem o que valem, resolvi verificar onde me localizo no Political Compass. Aqui ficam os resultados:
Economic Left/Right: 3.38 (ou seja, mais para a direita)
Authoritarian/Libertarian: -4.26 (ou seja, mais para o libertário)
Hmm...
Adenda:
Fiz também o World's Smallest Political Quiz. Resultados:
Your Personal Self-Government Score is 80%.
Your Economic Self-Government Score is 60%.
Ou seja, Libertário.
Ainda acabo por me convencer disto...
Economic Left/Right: 3.38 (ou seja, mais para a direita)
Authoritarian/Libertarian: -4.26 (ou seja, mais para o libertário)
Hmm...
Adenda:
Fiz também o World's Smallest Political Quiz. Resultados:
Your Personal Self-Government Score is 80%.
Your Economic Self-Government Score is 60%.
Ou seja, Libertário.
Ainda acabo por me convencer disto...
Guerra Civil nas Estradas de Portugal Se quer ajudar a acabar com ela, ajude a ACA-M, Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados. Pode, por exemplo,
- participar na nossa campanha de identificação e participação de Pontos Negros ou
- assinar a nossa petição à PSP de Lisboa pedindo mais acção protectora dos peões.
2003-04-15
A Loucura Os comunistas comem crianças ao pequeno almoço? Não. Agora são os judeus que bebem sangue árabe nas suas festas religiosas. Investigação do MEMRI:
Author of Saudi Blood Libel and Professor at King Faysal University Lectures at Arab League Think Tank: 'U.S. War on Iraq Timed To Coincide With Jewish Holiday Purim'
On April 9, 2003, Dr. Umayma Jalahma briefed the Arab League's "Center for Coordination and Follow-Up" and claimed that the U.S. war in Iraq was timed to coincide with the Jewish holiday Purim. Dr. Jalahma, a professor of Islamic Studies at Saudi Arabia's King Faysal University, made headlines last year when she claimed that Jews use human blood to make pastries for the Purim holiday. In an article published in the Saudi daily Al-Riyadh on March 12, 2002, Dr. Jalahma wrote about "the Jewish holiday of Purim... for this holiday, the Jewish people must obtain human blood so that their clerics can prepare the holiday pastries... that affords the Jewish vampires great delight as they carefully monitor every detail of the blood-shedding with pleasure... After this barbaric display, the Jews take the spilled blood, in the bottle set in the bottom [of the needle-studded barrel], and the Jewish cleric makes his coreligionists completely happy on their holiday when he serves them the pastries in which human blood is mixed."
Naomi Klein, no Guardian, diz que:
Tirando a retórica ("pulverizado" parece me um pouco excessivo...), parece que continua a haver quem ponha a palavra liberdade entre aspas, deixando a entender que os iraquianos estarão pior amanhã do que estavam sob Saddam e usando a expressão "wonderful world of democracy" com ironia. É razoável e desejável ser-se crítico e estar-se atento àquilo que os EUA vão fazer no Iraque, pois todos desejamos que haja verdadeira democracia no Iraque, mas não desta forma. Comparar, por exemplo, com o artigo sensato de David Aaronovitch (excepto na parte em que diz que "the rebuilding will require American troops, UN policemen, French expertise, Russian engineers, Arab diplomacy, forbearance in Iran and Turkey, and, above all, Iraqi bravery", pois parece-me que há aqui um país ou dois a mais...).
A people, starved and sickened by sanctions, then pulverised by war, is going to emerge from this trauma to find that their country had been sold out from under them. They will also discover that their new-found "freedom" - for which so many of their loved ones perished - comes pre-shackled by irreversible economic decisions that were made in boardrooms while the bombs were still falling. They will then be told to vote for their new leaders, and welcomed to the wonderful world of democracy.
Tirando a retórica ("pulverizado" parece me um pouco excessivo...), parece que continua a haver quem ponha a palavra liberdade entre aspas, deixando a entender que os iraquianos estarão pior amanhã do que estavam sob Saddam e usando a expressão "wonderful world of democracy" com ironia. É razoável e desejável ser-se crítico e estar-se atento àquilo que os EUA vão fazer no Iraque, pois todos desejamos que haja verdadeira democracia no Iraque, mas não desta forma. Comparar, por exemplo, com o artigo sensato de David Aaronovitch (excepto na parte em que diz que "the rebuilding will require American troops, UN policemen, French expertise, Russian engineers, Arab diplomacy, forbearance in Iran and Turkey, and, above all, Iraqi bravery", pois parece-me que há aqui um país ou dois a mais...).
A doce ilusão de Claude Imbert no Le Point:
A Europa e os EUA têm de se manter na mesma órbita, a órbita da civilização ocidental. Não iremos nunca orbitrar a França. Esse tempo passou há muito. A França acabará por cair em si.
La France a joué gros. Et les dés roulent encore. On voit bien ce qui, d'abord, l'obsède et guide sa conduite : éviter qu'un Occident rassemblé et chrétien ne semble, derrière l'Amérique, affronter de plein fouet le monde arabo-musulman. Chirac partage là-dessus la hantise du pape. D'ores et déjà, la France a recouvré du prestige partout où, dans le monde, l'hyperpuissance américaine exaspère. Elle a rameuté ailleurs, et chez elle, le mol et massif assentiment des partisans de la paix. Cela fait du monde.
Mais, en même temps, la France a pris le risque de creuser entre l'Amérique et nous un fossé impressionnant. Pour éviter, en Occident, de se trouver bousculée par la puissante machinerie bushiste, elle doit désormais convertir à ses raisons nos voisins du Vieux Continent. Cette partie-là n'est pas perdue, mais elle a mal débuté. L'ardeur spectaculaire mise chez nous à contrarier cette guerre irakienne a pour effet pervers de contrarier notre dessein européen, tant il apparaît qu'une partie de l'Europe renâcle encore à quitter, aussi peu que ce soit, l'orbe américain. Le projet européen n'est certes ni mort ni enterré. Mais il faudra attendre que le temps se fasse, pour nous, galant homme.
A Europa e os EUA têm de se manter na mesma órbita, a órbita da civilização ocidental. Não iremos nunca orbitrar a França. Esse tempo passou há muito. A França acabará por cair em si.
O blogmania pegou. Há por aí alguns blogues muito interessantes:
Ligações em breve no topo destas páginas...
P.S. Bom, alguns blogues já existem há uns tempos... Eu é que tenho andado distraído.
P.P.S Perdi já a esperança de ler estes blogues todos.
P.P.P.S. Porque será que tantos blogues de esquerda (do Blog de Esquerda ao Cruzes Canhoto) apelidam de facho quem não é de esquerda? Tentem pôr menos etiquetas, por favor. A mais das vezes falham totalmente o alvo.
- Liberdade de Expressão
- A Causa foi Modificada
- Portal Claudio Téllez
- Replicar
- O Itermitente
- Fumaças
- Cruzes Canhoto
- Bomba Inteligente
- Contra a Corrente
- De Direita
- Inside Europe: Iberian Notes
- Andrew Sullivan
- EuroPundits
Ligações em breve no topo destas páginas...
P.S. Bom, alguns blogues já existem há uns tempos... Eu é que tenho andado distraído.
P.P.S Perdi já a esperança de ler estes blogues todos.
P.P.P.S. Porque será que tantos blogues de esquerda (do Blog de Esquerda ao Cruzes Canhoto) apelidam de facho quem não é de esquerda? Tentem pôr menos etiquetas, por favor. A mais das vezes falham totalmente o alvo.
2003-04-14
Shock Value Spencer Ackerman escreveu em meados de Março um artigo verdadeiramente assustador. Nem o autor do artigo, nem as suas fontes de informação parecem ter a mais pequena ideia do que signifiquem direitos humanos. Resumidamente, o artigo diz que existem técnicas muito mais eficazes [sic] de interrogatório do que o recurso à violência. Essas técnicas passam pela privação do sono e vão até à ameaça à integridade dos filhos do interrogado. Totalmente inaceitável e um péssimo sinal.
2003-04-13
Oliver Stone e Fidel Castro Oliver Stone entrevistou Fidel Castro e preparou um documentário sobre o ditador. Lourdes Gómez, do El País, entrevistou por sua vez Oliver Stone. O resultado pode ser lido no El País Semanal de hoje. Seguem alguns extractos reveladores:
Oliver Stone não tem uma palavra crítica para com Fidel Castro, limitando-se a manifestar a sua admiração em relação à figura sinistra. Confessa que não é um socialista (será um "liberal" à americana), para logo a seguir dizer que espera que o McDonalds não entre em cuba. E note-se que Oliver Stone estava já ciente das últimas prisões políticas em Cuba:
Tal como Daniel Oliveira fazia há uns dias no Blog de Esquerda, iliba Fidel Castro das detenções de dissidentes, atribuindo a responsabilidade a Bush. Há na esquerda quem não tenha cura. Numa breve descrição do documentário vem esta pérola:
Enternecedor.
Cree que Castro renuncia a la reforma porque sigue anclado en la fase inicial de su revolución?
No está anclado en el pasado y, si acaso, es un pensador liberal en el sentido de que mira hacia delante. Está comprometido con el mundo y le preocupan los problemas del siglo XII. Sabe que hay limitaciones, pero no es un dictador al uso. És la versón latina de un hombre furte, un genuino revolucionario latinoamericano.
¿Qué lección extrajo en sus tres días con Castro?
Le admiro. Es un hombre carismático y un buen actor en el sentido de que interpreta muy bien a su ideología. En ningún momento se mostró a la manera de un 'yo, Fidel Castro'. Nunca percebí señales de egotismo. Sólo le sentí como un líder al servicio de la revolución. Obviamente, no es la caricatura que de él se hace en Estados Unidos, ni el carnicero que muchos denuncian. Nadie con esas características se sentiría tan cómodo y tan a gusto. Fidel Castro es un tipo que aguanta el escrutinio de la cámara y no tiene mala conciencia.
Oliver Stone não tem uma palavra crítica para com Fidel Castro, limitando-se a manifestar a sua admiração em relação à figura sinistra. Confessa que não é um socialista (será um "liberal" à americana), para logo a seguir dizer que espera que o McDonalds não entre em cuba. E note-se que Oliver Stone estava já ciente das últimas prisões políticas em Cuba:
No me extrañaría que Cuba sea el país número cuatro en el eje del mal de Bush. Ya han empezado a crear problemas en la isla, que provocaram la detención de disidentes.
Tal como Daniel Oliveira fazia há uns dias no Blog de Esquerda, iliba Fidel Castro das detenções de dissidentes, atribuindo a responsabilidade a Bush. Há na esquerda quem não tenha cura. Numa breve descrição do documentário vem esta pérola:
Balanceándose en dos mecedoras [Fidel Castro e Oliver Stone] hablan de la dirección de la política internacional: "Es impossible establecer un orden mundial basado en la fuerza... Tengo esperanza de que el pueblo norteamericano sea factor decisivo en la defensa de un mundo mejor."
Enternecedor.
Depois de tantos acertos durante a intervenção no Iraque, tinha de chegar também o maior falhanço da coligação: a manutenção da lei e da ordem. Como foi possível não terem pensado neste problema? Só espero que ponham cobro rapidamente ao caos e que haja poucos danos irreversíveis causados (talvez a esperança seja vã, pois aparentemente saquearam o Museu de Arqueologia de Bagdad).
Igualdade, liberdade e a natureza humana Steven Pinker, no seu "The Blank Slate: The Modern Denial of Human Nature" diz que:
Uma excelente síntese do que separa a esquerda da direita e das razões normalmente aduzidas para a negação da natureza humana e das diferenças inatas entre indivíduos.
A nonblank slate means that a tradeoff between freedom and material equality is inherent to all political systems. The major political philosophies can be defined by how they deal with the tradeof. The Social Darwinist right places no value on equality; the totalitarian left places no value on freedom. The Rawlsian left sacrifices some freedom for equality; the libertarian right sacrifices some equality for freedom. While reasonable people may disagree about the best tradeoff, it is unreasonable to pretend there is no tradeoff. And that in turn means that any discovery of innate differences among individuals is not forbidden knowledge to be suppressed but information that might help us decide on these tradeoffs in an intelligent and humane manner.
Uma excelente síntese do que separa a esquerda da direita e das razões normalmente aduzidas para a negação da natureza humana e das diferenças inatas entre indivíduos.
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